quarta-feira, 25 de julho de 2007

Pedro Rizzo - Lutador


“The Rock” promete voltar ao TOPO

Vitória convincente no Art of War motiva Rizzo a reconquistar seu espaço entre os tops do Vale-Tudo internacional

Apelidado de “The Rock” devido a contudência dos golpes que desferia no auge de sua carreira no Ultimate Fighting Championship (UFC), Pedro Rizzo quer reviver seus tempos de glória. O primeiro passo foi dado na edição de estréia do evento Art of War, em março deste ano, quando Pedro venceu bem o americano Justin Eilers.
A princípio, pode parecer exagero tomar um único resultado como termômetro para um atleta como Rizzo, que já nocauteou nomes como Josh Barnett, e Andrei Arlovski. Mas a verdade é que, após passar os últimos três anos com apenas duas lutas e duas derrotas por nocaute no Pride, a vitória sobre Eilers é emblemática. Principalmente se considerarmos que o americano vinha de uma sequência de sete vitórias por nocaute ou desistência.


Pouca gente aqui no Brasil assistiu sua última luta, no Art of War. Conte-nos um pouco sobre ela.
Começou a luta e trocamos alguns golpes, eu apliquei um knockdown e fiquei batendo por cima. Ganhei a meia guarda e fiquei um pouco preso ali, depois ele ficou de quatro, perto das grades, eu não consegui colocar os ganchos e foi assim até o fim do round. No segundo nós trocamos bastante, eu já comecei a chutar, faltando 10 segundos eu acertei um chute na cabeça dele, ele sentiu, então eu apliquei um cruzado muito forte na cabeça dele e quebrei minha mão, foi meu último golpe naquele round, pois o gongo soou. Acho que se continuasse naquela hora, a luta ia acabar. Como eu estava com a mão quebrada, no terceiro round eu troquei só um pouco, para que conseguisse chegar ao clinche e botar pra baixo. E consegui. Só que ele ficou sentado, não consegui deixá-lo de costas no chão. Fiquei batendo com os cotovelos e faltando uns 30 segundos ele conseguiu se levantar, trocamos mais um pouquinho e acabou. Dominei a luta. Ela foi boa pra minha carreira, pois teve três rounds, e eu estava precisando lutar esse tempo, até pra me sentir no ringue e ter uma base de como está meu condicionamento físico e meu treinamento. Tenho que melhorar algumas coisas.

Você ficou surpreso por ele não ter caído nos dois knockdowns que aplicou?
No primeiro knockdown ele caiu por cima das pernas, realmente eu pensei que a luta ia acabar, mas o juiz não parou. Ainda bem, porque assim a luta pôde continuar. O Eilers se segurou bem por baixo e conseguiu se recuperar. O chute na cabeça foi o que mais me impressionou, pois foi um chute relativamente forte. Ele estava caindo, mas ali ele foi salvo pelo gongo. Ele poderia ter caído e dormido, mas agüentou o chute. Ele mostrou uma boa resistência, está com uma boa trocação, um boxe alinhado, pendulando e cruzando o tempo todo e bate forte também. Foi uma luta boa pra me testar, pra ver como estou e agora é só melhorar, corrigindo os defeitos da luta.

Você estava há 13 meses sem lutar, ficou satisfeito com seu desempenho?
Eu luto melhor do que aquilo, mas devido às circunstancias acho que fui bem. Estava há um ano sem subir nos ringues, desde 2003 sem vencer, sendo que de lá pra cá tinha feito apenas duas lutas e perdido de forma rápida. Foi importante eu ter ficado bastante tempo no ringue desta vez, pois fazia muito tempo que não conseguia. A luta foi boa nesse sentido, por ter sido longa, mas eu acho que deveria ter nocauteado. Não que isso tenha me deixado triste, pois foi mérito dele, mas normalmente eu deveria ter nocauteado. Eu quero voltar ao topo, então tenho que vencer esses lutadores. Fiquei satisfeito por todas as circunstancias, mas como atleta e competidor, eu queria ter vencido por finalização ou nocaute.

Qual foi a grande dificuldade que você sentiu nesse retorno? Você se sentiu pressionado em conseguir essa vitória?
Eu estava com a cabeça boa. Entrei no ringue bem calmo, até mais calmo do que eu esperava. Eu vinha com muita pressão, pois se eu perdesse ia ficar numa situação muito ruim na minha carreira, já que eu vinha de duas derrotas. Não tinha outra escolha, era vitória ou vitória. Apesar de toda essa pressão, entrei calmo, focado, tinha treinado muito. Eu tava com a luta toda na cabeça, e tudo que eu planejei foi acontecendo. Gostei da minha atitude, de ter ido mais pra cima, eu fui mais agressivo do que das minhas últimas lutas, me soltei mais. Acho que agora, com a seqüência de lutas, eu vou me soltar cada vez mais e voltar a ser o lutador que eu era.

Você quebrou sua mão no segundo round. Como está sendo a recuperação?
Quebrei a mão no fim do segundo round, no último golpe que apliquei nele. Como o osso saiu do lugar eu tive que fazer uma redução no segundo metacarpo da mão esquerda. Graças a Deus durante a luta eu não senti dor nenhuma, consegui colocar meu adversário pra baixo e pude trabalhar bem com os cotovelos, poupando assim a minha mão. Acho que já posso lutar de novo em julho, os médicos me disseram que neste de maio poderei socar e já to treinando chão e Wrestling.

O Alexander Emelianenko chegou a ser cogitado para ser seu próximo adversário. Será ele mesmo?
Pois é, me ofereceram o Alexander e eu gostei muito, pois seria uma boa luta pras minhas pretensões de voltar ao topo. Eu queria poder ter essa oportunidade de lutar com ele, pois é um cara que pode fazer com que eu volte ao topo do MMA, mas eu acho que essa luta não vai acontecer, pois ouvi um papo de que ele assinou com o Bodog. Estou esperando um adversário pra final de junho ou julho.

O que você achou da organização do Art of War? Foi o primeiro show deles.
O evento foi ótimo. Em matéria de organização não ficou devendo a nenhum outro evento, foi tudo ótimo, hotel, estadia, tudo 100%. A arena foi uma das mais bonitas que eu já lutei em toda minha vida, que é a do Dallas Mavericks, da NBA. Uma arena imensa, que cabem 30 mil pessoas. Eles fecharam a parte de cima e colocaram 20 mil ingressos à venda e o público foi de 12 mil pessoas. Foi o primeiro evento, todo mundo sabe que no primeiro é sempre difícil ter lucro, mas os organizadores falaram que conseguiram um pequeno lucro. Acho que os caras estão bem conscientes da dificuldade de montar um evento de vale-tudo no mundo, eles estão fazendo tudo devagar e vão crescendo aos poucos. Acho que eles têm grandes chances de se tornarem bem grandes.

Você já se sente pronto para lutar contra os tops da categoria ou o ideal é pegar algum lutador mediano para que possa pegar mais ritmo?
Lógico que depois de uma luta a gente fica bem empolgado. Eu me senti muito bem dentro do ringue, até pela tranqüilidade com que eu fui à luta, estava com uma paz interna muito grande, estava bem calmo pra lutar. Isso me deu bastante força pra lutar com qualquer um. Lógico que o ritmo influencia, eu perdi algumas posições ali na luta que se eu tivesse com ritmo eu não perderia. Acho que mais uma luta antes de enfrentar um top seria muito bom. Assim eu pego mais de ritmo e no final do ano eu pego um top, pra voltar a me firmar entre os melhores.

Sua penúltima luta nos EUA foi no fim de 2003. De lá pra cá muita coisa mudou no cenário americano. Como você analisa essas mudanças?
Eu acho que o mercado americano sempre prometeu ser o maior do mundo, já que o maior mercado consumidor é lá. O UFC fez um excelente trabalho de marketing com o “The Ultimate Fighter”, popularizando o esporte dentro dos EUA. Você pode ver que o UFC consegue atrair mais atenção do que as lutas de Boxe. O UFC sempre fica de casa cheia em Las Vegas, enquanto há show de cantoras famosas como a Britney Spears que não tem o mesmo público. O UFC é uma febre nos EUA. Lógico que isso é tudo por causa da Zuffa, através dos irmãos Fertitta e do Dana White, os caras fizeram um trabalho acertado e agora estão com dinheiro para contratarem os melhores lutadores. O UFC hoje é sem dúvida o melhor evento do mundo e é dentro dos EUA, porque eles possuem o público para trabalharem isso.

O que seus fãs podem esperar de você daqui pra frente?
Vou trabalhar muito, treinar muito, para tentar voltar ao topo e voltar a lutar tão bem quanto eu já lutei nos Estados Unidos. Vou lutar com os melhores e buscar sempre a perfeição para estar entre os melhores do mundo e defender o nome do Brasil. Quero enfrentar os melhores da minha categoria.


Cedida pelo Jornal Vale Tudo.

Marcelo Garcia - Lutador

Fenômeno prepara estréia no Vale-Tudo

Morando nos Estados Unidos, Marcelinho quer testar o seu Jiu-Jitsu nas lutas de Vale-Tudo

Dono de uma das mais fantásticas técnicas no Submission e no Jiu-Jitsu, o atleta mineiro Marcelinho Garcia está recebendo diversas propostas para estrear no Vale-Tudo. Sem pressa, mas já se preparando para a estréia no ringue ou octagon, Marcelinho avisa que, apesar de estar treinando em pé, também espera poder mostrar seu jogo de Jiu-Jitsu dentro das competições de Vale-Tudo. O atleta da Alliance fechou sua participação no ADCC 2007 com sete finalizações em oito lutas, o que lhe rendeu o tri campeonato do ADCC até 77kg e um segundo lugar no absoluto. Vivendo atualmente em Nova York, Marcelinho tem dividido seu tempo entre aulas particulares, seminários e as competições de Submission e Jiu-Jitsu. Em relação aos treinamentos para a esperada estréia no Vale-Tudo, ele avisa: “Meu diferencial será usar meu Jiu-Jitsu em cima de atletas que esqueceram completamente da arte suave.”

E quando finalmente vai rolar sua estréia no Vale-Tudo?
Eu tenho proposta de quase todos os eventos, e isso é bem legal. Estou vendo quem é que vai respeitar mais o meu trabalho, porque atualmente tenho uma rotina de aulas e seminários que me mantêm. A gente fala dessa transição, dessa mudança, mas na verdade eu irei fazer o meu Jiu-Jitsu dentro do Vale-Tudo.

Em qual categoria de peso você estaria melhor no Vale-Tudo?
É até bom ver o UFC dominando o mercado, porque eles tem uma categoria muito boa para mim, a até 77kg. Eu acho que essa categoria é uma que me sinto forte e disposta, e mesmo fazendo dieta eu chego para lutar com bastante disposição. Mas nada me impede que mais pra frente, quando eu pegar experiência no Vale-Tudo, eu possa mudar de categoria, seja para baixo, ou para cima.


Você disse que tem vários eventos te chamando para lutar, ainda não existe um que faça as coisas do seu jeito?
Eu quero que os eventos de Vale-Tudo voltem a valorizar o lutador de Jiu-Jitsu o faixa-preta de Jiu-Jitsu, aquele lutador que acredita no chão. Não tem porque eu modificar meu jeito de lutar para dar show em um evento.


Você disse que essa transição para o Vale-Tudo será apenas mostrar seu Jiu-Jitsu dentro do Vale-Tudo. Mas como andam seus treinamentos para o Vale-Tudo?
A única coisa que é novidade nos meus treinamentos é o uso da luva. Tudo que possa vir a apresentar em um ringue de Vale-Tudo já está na minha cabeça. Estou treinando em pé, não estou de bobeira.


E quais são as chances dessa sua primeira luta de Vale-Tudo ocorrer em breve?
Eu pretendo fazer essa luta antes do fim desse ano e sei que isso vai acontecer em algum evento que eu sempre sonhei em lutar.


Na sua opinião quem seriam os melhores nesse peso até 77kg no Vale-Tudo?
Fica complicado falar em um nome só, é a mesma coisa que listar alguns atletas da minha categoria no ADCC, são muitos caras bons. Mas no Vale-Tudo tem o Matt Hughes, George St. Pierre, BJ Penn e o Matt Serra que acabou de ganhar do St. Pierre.


Contra qual desses lutadores citados você acha que seu jogo se encaixaria melhor? Já pensou nisso?
Eu faço meu plano de luta por mim mesmo. Eu não tento me adaptar aos meus adversários não. E eu acho que isso também vai acontecer no Vale-Tudo, eu sempre tenho uma estratégia formada na minha cabeça. Meu forte será o Jiu-Jitsu, e eu vejo que muitos desses atletas citados por mim esqueceram um pouco do Jiu-Jitsu, desacreditando na arte. Eu acho que esse vai ser meu diferencial perante eles, na hora eles vão perceber o quanto o Jiu-Jitsu fez falta.


Você lutaria no Gracie FC do dia 19 de maio. O que aconteceu que essa luta não vingou?
Eu tive várias propostas e no meio desses quase sete meses de negociação, soltaram meu nome sem termos acertos. Isso atrapalhou demais meu treinamento e minha participação em outros eventos. As pessoas só falavam nisso quando na verdade não tinha nada certo.


Você finalizou muito mais lutas no ADCC 2007, do que nas edições anteriores. O que mais contou para que seu jogo fosse mais eficiente do que nas outras edições?
O que mais contou foi a experiência. Eu treinei forte como sempre, mas as minhas outras participações, incluindo a seletiva de 2003, me deram muita bagagem. Não só no ADCC, mas também no quimono, eu já percebi que as pessoas estão se vacinando das coisas que eu gosto de fazer, tenho o arm-drag, as finalizações pelas costas e a guarda em “x”. Mas as pessoas não podem pensar que eu treino somente isso. Eu treino tudo e na hora que uma coisa não funciona, as outras estão bem treinadas para por em prática. Antes do evento eu ouvi que esse ano seria mais difícil porque todos estavam treinando muito.


Você acha que essa preocupação que você tinha de ser um evento mais difícil do que nos outros anos foi seu diferencial?
Isso conta bastante, sabia que não seria fácil e tinha alguns nomes lá que eu não queria perder para eles. Esses fatores me motivaram a treinar e deu no que deu, consegui finalizar todas as lutas. Outra coisa na minha parte de treinamento que funcionou muito bem foi a dieta. Eu sempre tive dificuldade com peso antes das lutas, e esse ano eu tive a melhor dieta de todas. Cheguei sem nenhuma lesão no evento e isso foi bom.


Quem são as pessoas para quem você não queria perder?
Teve gente que ganhou a seletiva no Brasil, no caso do André Galvão, que andou falando que ia chegar a minha vez, e isso me motivou a treinar mais.


Você mencionou o nome do André Galvão e ele lutou na semifinal do absoluto e acabou perdendo em luta para o Robert Drysdale que é da mesma equipe dele. Você acha que a luta foi real?
Eu não vi nenhuma luta, eu tento me focar ao máximo para sempre tentar fazer as oito lutas do ADCC(peso e absoluto). Mas eu deixo na opinião do povo, que falou que a luta não foi correta, não foi para valer. No caso do André Galvão já que ele queria tanto lutar comigo, ele estava na vez dele, e deveria vir lutar comigo para fazer o serviço, ao invés de passar para o outro.

Muitos fãs de Vale-Tudo que não acompanham submission e Jiu-Jitsu regularmente, ficaram muito tristes quando você foi finalizado na final do absoluto para o Robert Drysdale. Como você vê essa situação?
É isso que me faz chegar na segunda-feira depois do evento e começar a treinar. Essa semana depois do evento foi tão forte quanto nas semanas que antecederam o ADCC. Eu ouvi muito disso que você falou na pergunta e foi uma das coisas que me deixaram mais feliz. Eu já tinha ouvido isso quando perdi antes, isso é uma prova de que eu estou no caminho certo, não posso desistir e um dia eu vou ganhar esse absoluto e o do Mundial de Jiu-Jitsu.


E essa luta final contra o Drysdale, alguma analise a se fazer?
Eu tinha que assistir a essa luta outras vezes para ver o que eu posso ter errado. É difícil falar algo sem uma análise mais profunda. Entretanto eu não me sinto mal pela derrota, eu estava com um sentimento dentro de mim que tipo, eu quero ganhar isso, a minha vontade era enorme. Foi tão difícil chegar nessa final e se eu perdi foi porque fui muito para cima e com muita vontade de ganhar e nunca tive medo. Eu já tinha vencido ele duas vezes – com e sem quimono – e eu estava bem confiante. Eu não tiro mérito dele não, ele esperou o momento certo e eu respeito muito ele. O único cara que eu não respeito é o André Galvão.


O que você achou da organização do ADCC 2007?
Eu achei que deixou muito a desejar। Não sei se o público percebeu isso, eu não sei como estava o clima do lado de fora. Esse foi meu terceiro evento e ele deixou muito a desejar. Na minha opinião é uma responsabilidade muito grande você promover o ADCC, você tem que ter uma dedicação pelo evento, não pode fazer como qualquer um. O evento acontece somente de dois em dois anos.

Gostaria de deixar uma mensagem final para os fãs?
Queria agradecer muito a participação da torcida. É isso que me fez treinar na segunda feira depois de ter tido um fim de semana de lutas no ADCC e estar cansado. Eu gostaria que eles soubessem que não é fácil perder depois de ter feito um campeonato tão bom. Mas isso não vai me desanimar, eu prometo que nos próximos eventos chegarei com a mesma vontade de sempre. Os fãs vão me ver fazendo um campeonato no mesmo estilo que eu sempre tenho feito, buscando finalizar todas as lutas e ser campeão.
Quero agradecer aos meus patrocinadores Keiko e a FightFX. Meu Jiu-Jitsu é o do Fábio Gurgel. Agradeço ao meu meu preparador físico, o Gilson. Ele explorou muito o cross-training onde desenvolvi coisas que não tinha costume. Eu não gostava muito desse tipo de treinamento, mas senti que cheguei bem melhor fisicamente no ADCC graças a eles. E é claro agradecer minha mulher, Tatiana Tognini.

Entrevista Cedida pelo Jornal Vale Tudo.

sábado, 26 de maio de 2007

Wanderlei Silva - Lutador

Wand explica derrota e já em pensa em voltar aos ringues
*Por: Gleidson Venga



você analisa a sua luta com o Dan Henderson?
Foi uma luta em que aconteceram vários fatores. Eu não gosto de justificar minhas derrotas, mas às vezes há fatores que podem ou não influenciar na luta. O que aconteceu foi que na semana da luta eu estava com uma dorzinha de garganta e nem dei tanta importância, mas a gente passa por uma tensão muito grande. Acabou que eu pesei na véspera, a gente ficou num ar-condicionado muito forte e de noite começou a me dar uma febre. Minha esposa estava comigo, me deu uns remédios e viu que minha garganta estava muito ruim. Minha febre não baixava, então fui pro médico, onde me deram dois litros de soro e alguns medicamentos. Realmente eu estava me sentindo muito mal. Só que trabalho é trabalho e eu tinha que estar bem. Só que no dia da luta eu não consegui me achar. Ele abaixava muito a cabeça e realmente eu não me achava. Eu não sei por que isso acontecia, porque eu estava muito bem preparado, treinei durante três meses pra essa luta. Então no terceiro round eu fui surpreendido com aquele soco giratório, eu fiquei um pouco grogue, mas me recuperei, só que depois eu tomei dois socos no queixo que foram fatais. Aí não teve como, acabei caindo e aconteceu aquilo que todo mundo viu. Mas os méritos foram dele mesmo e espero fazer outra luta com ele de novo.

Ele te surpreendeu? Você esperava que ele fosse te dar tanto trabalho em pé?
Não, na verdade não houve um grande fator pra aquilo. O estilo que eu gosto é em pé mesmo, teve até gente que me falou “Po, quando você ficou por cima no terceiro round, por que não ficou batendo ali?”, mas o estilo que eu gosto é de trocar. Na verdade o que aconteceu foi que ele me acertou um soco no queixo, não teve outra coisa. O estilo do cara é aquele e foi o dia dele, infelizmente.

Você passou por esses problemas de saúde antes da luta e acabou entrando um pouco debilitado. Se pudesse voltar atrás, você faria essa luta novamente naquelas condições?
Faria. O evento estava todo montado, tudo pronto, naquela hora o cara tem que fazer. Eu acho que se eu não lutasse ia fazer muito mais mal pra minha carreira do que se eu não fosse o campeão. Acho que o evento não tem nada a ver com minha condição, se eu aceitei lutar naquele dia, naquele dia eu tenho que me apresentar e lutar. No dia o cara tem que se apresentar, a não ser que tenha uma fratura ou algo que o impeça de lutar, senão o cara tem que se apresentar. Ainda mais naquele evento, onde eu ia fazer a luta principal da noite, então eu tinha que entrar de qualquer maneira.

Como foi acordar pela primeira vez, depois de tanto tempo, sem ser o campeão do Pride? O que passava pela sua cabeça?
Passavam várias coisas. Deu um vazio e eu pensei “Po, e agora?”, mas ai eu estava com minha esposa e com minha galera, eles sempre levantam a minha moral. Eu fiquei pensando “O que será que está acontecendo comigo? Será que eu não sou mais o mesmo? Será que estou ficando velho?”, então comecei a procurar o porquê disso. Eu treinei muito, me preparei demais, então eu tive um momento de reflexão. Por uns dez segundos eu até fiquei deprimido, mas depois pensei que o negócio é treinar, bola pra frente. Eu sou um cara muito otimista e acho que uma das coisas que mais poderiam ter me motivado era perder o título, porque agora eu tenho que correr atrás. Eu voltei a ser o desafiante e isso pra mim está sendo uma coisa relativamente boa. Eu já estou treinando, não me deixei abater, porque eu quero ser o campeão novamente. É como eu já falei, no dia que eu não for o campeão, eu quero estar correndo atrás dele, e é isso que estou fazendo agora.

Por ter esse título durante tantos anos, algum dia você chegou a ficar desmotivado? Há atletas que, por manterem um título por muito tempo, chega uma hora em que não tem motivação pra competir.
Acredito que nem seja pelo título, o que deixa a gente meio assim às vezes é a rotina de lutas. É um trabalho muito difícil, todo dia a gente está suando, todo dia a gente está ralando. Eu tive uma coisa muito estranha nessa luta, que foi muita pressão em cima de mim, já tenho durante muitos anos, mas nessa foi maior ainda. Eu fiz uns exames quando voltei e está tudo normal, mas tive uma dor de garganta muito forte, depois uma herpes me atacou na boca e na nuca, fiquei todo bichado. Eu fui ao médico e o cara falou que poderia ser stress. Mas eu sou um cara tão tranqüilo, seria stress do quê? (risos) Mas depois da luta eu vi que ser campeão não é pra qualquer um, é uma coisa muito difícil e o cara tem que saber lidar com isso. Até que eu soube por muito tempo lidar com isso. Se Deus quiser, eu vou recuperar esse título e vou estar mais tranqüilo e saber administrar melhor.

Você acha que vai rolar uma revanche entre você e o Henderson pelo título?
Com certeza. Por eu ter sido campeão durante seis anos e por ter lutado numa condição que não era a ideal, realmente eu não estava 100% na luta, eu acho que mereço uma nova chance de disputar com ele de novo valendo o título, ou com um novo campeão. Mas como o Shogun já está há algum tempo pegando as maiores pedreiras da categoria, e está sendo o melhor da categoria, acho que se não for eu, tem que ser ele. Se não derem essa chance pra mim, tem que dar pra ele. Pra ele eu abro mão, não há problema algum. Ele é um merecedor, acho que chegou a hora dele.

Depois da luta, o Dana White disse que não via mais motivos pra realizar uma luta sua contra o Chuck Liddell. Você acha que esse combate ainda vai acontecer?
Vai rolar sim. O cara também não vai ser campeão pra sempre. Ou eu reconquisto o título, ou o cara amanhã não é mais o campeão. Nesse mundo da luta muitas coisas acontecem. Este ano, se Deus quiser, vai ser muito bom pra mim, muitas coisas boas vão surgir. O vale tudo está numa franca ascensão, todo mundo que está nesse meio tem muito a ganhar e eu ainda vou estar envolvido nesse meio por muito tempo. Essa luta ainda vai rolar, e se eu estou ficando velho, ele está ficando mais velho ainda, então uma hora essa luta vai acontecer. Eu sou muito calmo, posso esperar o tempo que for.

Pela primeira vez na sua carreira, você sofreu duas derrotas consecutivas. Isso lhe fez rever alguma coisa em seu treinamento e mudar alguma coisa?
Eu já mudei. Estou treinando mais ainda minha parte técnica. Estou treinando meu Boxe, meu Jiu-Jitsu, estou me aprimorando mais. Com o passar dos anos, você vai se acomodando, mas o vale tudo não está se acomodando, muito pelo contrário, está evoluindo muito rápido. Se eu quiser competir de igual pra igual com os novos caras que estão surgindo, ou com os antigos que estão se aprimorando, eu também tenho que me aprimorar. Então nossa equipe conversou muito, o Rafael já está me dando umas aulas diferentes, estou treinando Boxe com o professor Osmar Dias, que passou dois anos na Flórida sendo sparring de um campeão mundial e está me dando aulas particulares, já estou fazendo minha preparação física ainda mais intensa. Com isso que me aconteceu o meu castigo foi ter que ralar mais pra voltar a ser o campeão.

Qual o balanço que você faz destes seus dez anos de carreira?
Eu acho que é uma carreira muito boa. Quando comecei eu era atendente de um bar, durante quase metade dessa carreira eu trabalhava no bar e lutava. Eu passei muitos anos sendo campeão, meu nome sendo reconhecido no mundo todo e o esporte crescendo, eu conseguindo abrir as portas dos eventos pros meus amigos. Através das minhas lutas e dos meus técnicos, eu consegui colocar todo mundo da nossa equipe pra lutar, desde os mais novos aos mais ativos. Isso é uma das coisas que mais me deixa feliz. Eu tenho uma carreira muito boa, espero lutar por mais alguns anos ainda, estou me sentindo bem e vamos ver por quanto tempo ainda vou agüentar a lutar nesse ritmo. Eu gosto muito do que faço, muitos eventos estão acontecendo, então só depende de mim pra eu continuar competitivo. Quando chegar a hora e eu achar que não dá mais, eu paro. Só que ainda não chegou essa hora, estou me sentindo bem, estou forte, estou mais motivado do que nunca, então espero voltar com tudo agora.

Deixe um recado para seus fãs que acompanham o Portal do Vale Tudo e estão sempre na torcida por você.
Mais do que nunca, eu quero agradecer a todos meus fãs, que torcem por mim, que mesmo na derrota estão comigo, essa é uma galera que me motiva demais. Eu fiquei um tempo sem dar entrevistas aqui no Brasil, essa é a primeira depois deste período, estou dando pra você porque você é um cara que sempre coloca o que eu digo, exatamente o que eu falo. Tem algumas pessoas que não entendem a vida de um lutador e falam algumas coisas desrespeitosas com relação aos atletas. Se um lutador fala alguma coisa de outro, isso é normal, mas se alguém está de fora e quer falar alguma coisa, mas que for de maneira respeitosa, eu até acho pertinente. Mas há pessoas que faltam com o respeito e que se escondem atrás de um nome fictício, eu acho que isso denigre o esporte. Todo mundo tem o direito de criticar, se o cara coloca a cara na mídia, ele tem que aceitar. Eu aceito todas as críticas, mas desde que seja de uma maneira respeitosa. Para meus fãs, quero dizer que já estou me preparando, não sei quando vai ser minha próxima luta, mas espero dar o gosto da vitória pros meus fãs. Vocês não sabem a força que me dão, eu acesso direto o site, leio o que meus fãs escrevem pra mim e isso é uma coisa que me motiva muito. Eu estava lá nos Estados Unidos, muito triste, passavam muitas coisas na minha cabeça, porque isso é meu trabalho e minha vida. Então eu entrei no site e vi várias mensagens da galera, que falavam que estavam comigo, que eu poderia perder dez lutas que continuariam comigo. Isso é uma das coisas que mais causa inveja em determinadas pessoas, que não têm os fãs que eu tenho. A galera está comigo e, de coração, eu agradeço essa força que vocês estão me dando. Como eu já disse, quando você ganha, você tem muitos amigos, mas quando você perde, você vê quem realmente são seus amigos. Agora, mais do que nunca, estou tendo a oportunidade de ver quem são realmente os meus amigos. Se eu pudesse conhecer todas essas pessoas que mandaram mensagens pra mim, eu ficaria muito feliz. Eu já falei várias vezes, mas quem encontrar comigo na rua ou num evento, chega e fala “po, eu sou aquele cara que te mandei aquela mensagem e tal”, pode ter certeza que eu vou ficar feliz em conhecer todos vocês, porque vocês não têm noção da força e da motivação que passam pra mim. É por vocês também que eu não desanimo, porque fases ruins acontecem na vida de todo mundo, todas as pessoas na vida sofrem derrota, mas a diferença entre o vencedor e o perdedor é como a pessoa enfrenta esse momento difícil, se ele deixa ou não se abater. O perdedor é aquele que desiste e, se isso acontecer, aí sim acabou, mas se o cara não desiste, continua persistindo, uma hora ou outra ele ganha. Deus está me dando uma oportunidade muito boa de dar a volta por cima e só quem perde tem essa oportunidade. Eu vou dar a volta por cima, Deus vai me ajudar, vou me esforçar muito e vou dar essa alegria pros meus fãs, pois eles merecem. Agora estou relançando meu site, vou fazer uma coluna nele, vai ter um blog, onde vou trocar idéia com minha galera. Pra galera que curte meu trabalho e gosta da minha idéia, fiquem ligados porque vai entrar no ar daqui alguns dias. De coração agradeço ao apoio de todos vocês. Ao Portal do Vale Tudo agradeço o espaço pra galera poder debater e para meus fãs poderem me apoiar. Muito obrigado a todos e que num futuro próximo eu possa corresponder à expectativa de todos vocês, com vitórias e com o show que todo mundo está acostumado a ver. Muito obrigado, valeu!
http://portaldovaletudo.uol.com.br

Marcos Ruas - Lutador

Marco Ruas

Lutador fala sobre aquela que pode ser sua última luta Marco Ruas está sem lutar desde 2001, quando finalizou Jason Lambert. Neste sábado, o criador do Ruas Vale Tudo irá enfrentar Maurice Smith na super luta da International Fight League (IFL). O ídolo brasileiro está pronto para o desafio e confessa que esta pode ser sua despedida dos ringues.

Como está a expectativa em voltar a lutar depois de tanto tempo?
Eu to naquela ralação, treinando muito. Bateu até uma certa tensão, já que faz seis anos que eu não luto, parece tudo novo. Mas treinei bastante, me dediquei muito nos treinamentos. Eu só vinha dando aula, agora mudou. Apesar de sempre me manter em forma, nunca deixei meu shape cair, mas treinar para uma luta é totalmente diferente. O treinamento pro vale tudo exige um esforço muito grande, já que tem que misturar todas as disciplinas. Mas eu estou feliz em voltar aos ringues depois de tanto tempo, é um desafio pra mim. Estou feliz por ter tido essa oportunidade, recebi o convite e mais uma vez o destino apareceu pra mim, então vou aproveitar.

Como na década de 90, você está treinando para essa luta com o Pedro Rizzo, Beto Leitão, Antoine Jaoude e Rodrigo Ruas, entre outros. Você se sente como se estivesse voltando no tempo?
É verdade, aquilo tudo volta. Aquele espírito de guerreiro, de lutador, aparece de novo. Poder voltar aos ringues me dá uma emoção muito boa. Não vejo a hora de lutar. A expectativa inclusive aumenta porque o time vai lutar também. Vai ser um grande desafio.

Maurice Smith o venceu no UFC, então além da expectativa pela volta aos ringues, haverá também a chance de uma revanche.
Sem duvida, há esse fator também. Quando eu lutei com ele antes eu estava machucado e isso foi muito frustrante pra mim. Essa luta tem vários ingredientes. Dessa vez só saio dali nocauteado, porque agora não estou com o joelho machucado, nem nada. Agora é vencer ou vencer. Lógico que nesse esporte tudo pode acontecer, mas estou preparado pra vencer, porque eu treinei duro. Só saio dali desmaiado, porque eu não vou parar. Não vou desistir.

Como foram os treinos pra luta?
Os treinos foram duríssimos, foi a pior parte. Acho que o que pega quando você aceita voltar a lutar é a rotina de treinos. Eu tive que parar de dar aula e eu tinha bastante aula. Agora eu treino, volto pra casa, como, descanso e treino de novo. Vira aquela rotina e vai se tornando cansativo. Então eu treino duro, tem hora que canso, mas então eu vou melhorando e acabo me empolgando. Porque você chega, faz três rounds no treino e cansa, mas depois consegue fazer quatro ou cinco, isso é muito bom. Eu me preparei pra lutar até o fim, só que espero vencer antes. Tudo pode acontecer, mas treinei pra lutar os cinco rounds.

Vocês dois estão sem lutar há muito tempo, mas você vem se mantendo em forma por todos esses anos. Você acha que o Smith sentirá mais essa falta de ritmo?
Ele é um lutador bem inteligente, ele sabe se poupar. Eu acho que ele vai se poupar, não vai com tudo pra cima, então eu vou ter que imprimir o ritmo. Da última vez que eu o vi, ele estava acima do peso, acho que deu uma relaxada. Por eu estar sempre treinando e dando aula, eu consigo me manter no peso. Já ele acho que vai ter dois trabalhos, perder o peso e entrar em forma. Ele é um atleta que já fez muitas lutas, pra ele isso é business, não é como pro brasileiro, que isso é como se fosse vida ou morte. Ele tem uma cabeça mais fresca nesse sentido. Eu não sei como estão os treinos dele, nem estou preocupado com isso. Acho que ele está sem lutar vale tudo o mesmo tempo que eu, mas fez umas duas lutas de kickboxing depois.

Essa será sua última luta ou você poderá fazer mais algum combate?
Eu acho que vou parar. Claro que até pode surgir uma proposta de lutar de novo, mas pra mim é muito duro. Você pára e acaba mudando a rotina da sua família toda. Eu tive que parar a academia e os alunos perguntam muito por mim, eles passam a depender da gente. Muitos ali se mantêm em forma por causa dos meus treinamentos, eu tenho alunos que estão comigo há seis anos. Pra mim não dá mais pra fazer uma carreira com essa idade. Se fosse pra levar na coxa, no foda-se, até dava. Eu encontrei com um lutador quase da minha idade que foi lutar no Pride, eu perguntei pra ele se ele tinha treinado bem, então o cara me disse que treinou só cinco dias! O cara foi lutar pelo dinheiro. Por mais que você tenha técnica e coração, é muito difícil conseguir uma vitória com cinco dias de treinamento. Se pra um cara novo já é difícil, imagina pra um da minha idade. O cara foi lá pelo cheque, mas pra mim a vitória é mais importante. Se o cara vier pra mim e perguntar se eu quero um cheque ou a vitória, é lógico que vou escolher a vitória. Pra nós que somos lutadores, não há coisa mais gostosa do que o sabor da vitória. Eu já senti o gosto da vitória e da derrota, sei que o da vitória é muito melhor. Melhor do que dinheiro, do que qualquer coisa.

Você viveu uma situação muito delicada nos últimos dias com o suicídio de um integrante do seu time, o Jeremy Willians. Como seus atletas lidaram com isso?
Foi uma perda muito grande, todo mundo ficou abalado. Ele era um cara gente fina, cheio de vida e potencial. Eu botei ele no meu time porque ele tinha muito potencial, tanto em pé quanto no chão, era um cara cheio de talento. Era um garoto muito educado. Não consigo entender porque ele fez isso. Todo mundo lamentou essa perda. Agora a gente vai ter que superar, todos vão dar o seu melhor e dedicar a vitória pra ele. A gente não pode se abalar por isso, pelo contrário, nós vamos correr atrás dessa vitória e dedicar a ele.

Sua equipe, os Condors, vai encarar os Razorclaws, do Frank Shamrock, no mesmo dia da sua luta. O que você espera desse confronto?
A gente tem grandes chances de ganhar esse confronto. Eu mudei o Justin Levens de categoria e botei um cara novo na outra. Nós temos grandes chances, se a gente vencer, nos classificamos. Todo mundo está muito bem. Estou vendo se trago o Eric Tavares pra cá, pra colocá-lo no time. Ele está morando aqui nos Estados Unidos, é um garoto raçudo, eu gosto dele. Ele veste a camisa e eu só não o coloquei agora porque não deu tempo.

O que você achou do retorno do Pedro Rizzo e o que espera dele daqui pra frente?
O Pedro me impressionou. Um cara que vinha de duas derrotas, ainda mais por nocaute, se superou. Ele foi muito agressivo, partiu pra cima, derrubou, fez ground and pound, foi pras costas, foi agressivo o tempo todo. Ele procurou a luta o tempo todo. Foi muito importante essa vitória. Quando você vem de uma derrota, por mais que você não queira, acaba pensando que pode tomar uma bomba de novo. Ele conseguiu limpar isso da mente dele e foi pra luta mesmo. Eu fiquei muito empolgado, ele também se empolgou, então foi muito bom. Com a idade que ele tem, com o potencial que ele tem, não pode se poupar. O cara treina que nem um louco, então continuando assim ele vai poder sempre mostrar nos ringues esse potencial que ele tem. Se ele botar no ringue tudo que ele treina, aí fudeu, não tem pra ninguém, engole todo mundo. Estou bem empolgado com ele. A luta foi boa porque ele fez três rounds e o cara não vendeu barato. O Justin Eilers foi pro pau, tomou knockdown, mas não parou, foi bem raçudo. Ele foi pra vencer o Pedro, não se entregou.
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domingo, 20 de maio de 2007

Cássia Lins - Nutrição

Cássia Lins, nutricionista do Centro de Reabilitação e Prevenção de Deficiências (CRPD), das Obras Sociais Irmã Dulce.

- Qual o alimento bom para a saúde?
Todos os alimentos são bons para a saúde. O que acontece é que costumamos dizer: a gordura faz mal, o açúcar faz mal... Dependendo da pessoa, algumas coisas, realmente, podem fazer mal, mas o ideal é que a nossa alimentação tenha um pouco de tudo. Por exemplo, também é importante fazermos uso da gordura, ela não é esse vilão todo, mas tem que ser consumida em quantidades pequenas. O açúcar, as massas, não podem ser consumidas em excesso, porque são alimentos que engordam. Hoje temos alimentos considerados essenciais, que as vezes deixamos de lado. As frutas são essenciais em vitaminas e sais minerais. Há também os alimentos que possuem fibras, tais como: folhas verdes, os cereais (arroz, germes de trigo, etc). Essas fibras vão favorecer uma vida saudável a pessoa que se alimentar direito.

O ideal é que a gente tenha um prato com porções de carboidratos que são as massas (arroz, macarrão, batata). Uma porção menor de carne, frango ou peixe. As carnes trazem as proteínas. Deve ter, também, verduras e saladas bem coloridas. A cor diz o que o alimento tem: a cenoura (amarela) é rica em vitamina A; o espinafre e outros vegetais verde-escuros, são ricos em ferro. É importante uma salada com cores bem variadas. Aí está um prato completo e saudável.

- Quem tem pressão alta, como fazer para baixá-la ?
Basicamente, com a retirada ou redução do sal na alimentação. A pressão alta também está associada a obesidade. O controle do peso também vai favorecer a redução da pressão. Então, basicamente, é a retirada do sal e o controle do peso. Sem esquecer, é claro, de consultar um médico, que verificará se são necessárias outras medidas ou medicações.

- Existem alguns alimentos que ajudam no controle da pressão?
Sim, existem os alimentos que tem pouco sódio. Alimentos ricos em água, pois eles pode ajudar na redução de pressão. Quais são estes alimentos? Melancia, carambola, maracujá, melão e outros.

- Tudo que a mãe come vai para o bebê?
Nem tudo o que a mãe come vai para o bebê. O que a mãe come é filtrado. O que passa é o que a criança precisa para poder se desenvolver. No geral as crianças nascem com um peso normal. Quando acontece de uma criança nascer com um peso maior, geralmente é porque, na gravidez, a mãe desenvolveu alguma doença que fez com que essa criança crescesse muito. Quando a mãe tem diabete gestacional, ela tem uma criança com um peso maior. Existem também crianças que nascem com baixo peso, muitas vezes, porque a mãe está desnutrida, por não ter tido uma alimentação adequada durante a gravidez.

- Por quê a mãe engorda quando engravida?
Porque a mãe sente mais fome, por causa do bebê que está crescendo dentro dela. O ideal é que a mulher tenha uma alimentação adequada, não engordando demais e se preparando para amamentar o bebê.

- Por quê a gordura faz mal para o diabético?
Porque a gordura em excesso se transforma em açúcar. Quando comemos, o alimento passa pelo processo de digestão e chega um momento em que é absorvido pelo nosso corpo. A gordura é absorvida também. Quando está em excesso, ela se transforma em açúcar e esse açúcar em excesso é o que faz mal para os diabéticos. Existem dois tipos de diabetes: a tipo 1 e a tipo 2. A pessoa não nasce com a diabete do tipo 2, mas a desenvolve durante a vida. Ela está muito relacionada ao peso. A pessoa obesa tem maior probabilidade de adquirir uma diabete. A gordura é mais calórica e tende em aumentar o peso, o que pode estar potencializando a diabete.

- Qual é a fruta boa para ajudar a defecar?
Mamão, laranja com o bagaço, ameixa, melancia, por ser rica em água. A água é fundamental para que o intestino funcione normal. A maçã com casca e a pêra com casca também ajudam (sem casca prende), além das saladas cruas.

- O que é bom para curar a anemia?
Existe muitos tipos de anemias, provocadas por causas diferentes. A principal delas e a anemia por carência de ferro. Pode-se melhorar consumindo alimentos que contenham ferro, como: a carne vermelha e o fígado, vegetais como a beterraba, quiabo, espinafre, etc. Os vegetais que são fontes de ferro, normalmente temos que associá-los com uma fonte de vitamina ''C'', como a laranja e o limão. Por isto é bom fazer o suco de beterraba com laranja. Outros alimentos bons para a anemia são o feijão, a ervilha, a lentilha.

- Quem tem hipotireoidismo tem realmente dificuldade para emagrecer?
Quem tem hipotireoidismo são pessoas que tendem a aumentar o peso, isso porque a função da tireóide é reduzida. Já no hipertireoidismo ocorre o contrário: costumam ser pessoas magras, pois seu organismo funciona de forma mais acelerada.

- Como evitar a desnutrição ?
Alimentando-se corretamente, tendo acesso a uma boa variedade de alimentos. Na nossa realidade, falar de desnutrição, frequentemente, significa falar da pobreza, falar de carências sociais. Significa falar de pessoas que, por não possuírem dinheiro, não têm como adquirir a comida, não têm o que comer.

- Quais as doenças relacionadas a falta de alimentação?
A pessoa que passou por uma desnutrição na infância geralmente tem baixa estatura, algumas vezes acaba apresentando uma deficiência mental. Algumas carências provocam deformações. Por exemplo, a carência de vitamina D provoca o raquitismo.