sábado, 26 de maio de 2007

Wanderlei Silva - Lutador

Wand explica derrota e já em pensa em voltar aos ringues
*Por: Gleidson Venga



você analisa a sua luta com o Dan Henderson?
Foi uma luta em que aconteceram vários fatores. Eu não gosto de justificar minhas derrotas, mas às vezes há fatores que podem ou não influenciar na luta. O que aconteceu foi que na semana da luta eu estava com uma dorzinha de garganta e nem dei tanta importância, mas a gente passa por uma tensão muito grande. Acabou que eu pesei na véspera, a gente ficou num ar-condicionado muito forte e de noite começou a me dar uma febre. Minha esposa estava comigo, me deu uns remédios e viu que minha garganta estava muito ruim. Minha febre não baixava, então fui pro médico, onde me deram dois litros de soro e alguns medicamentos. Realmente eu estava me sentindo muito mal. Só que trabalho é trabalho e eu tinha que estar bem. Só que no dia da luta eu não consegui me achar. Ele abaixava muito a cabeça e realmente eu não me achava. Eu não sei por que isso acontecia, porque eu estava muito bem preparado, treinei durante três meses pra essa luta. Então no terceiro round eu fui surpreendido com aquele soco giratório, eu fiquei um pouco grogue, mas me recuperei, só que depois eu tomei dois socos no queixo que foram fatais. Aí não teve como, acabei caindo e aconteceu aquilo que todo mundo viu. Mas os méritos foram dele mesmo e espero fazer outra luta com ele de novo.

Ele te surpreendeu? Você esperava que ele fosse te dar tanto trabalho em pé?
Não, na verdade não houve um grande fator pra aquilo. O estilo que eu gosto é em pé mesmo, teve até gente que me falou “Po, quando você ficou por cima no terceiro round, por que não ficou batendo ali?”, mas o estilo que eu gosto é de trocar. Na verdade o que aconteceu foi que ele me acertou um soco no queixo, não teve outra coisa. O estilo do cara é aquele e foi o dia dele, infelizmente.

Você passou por esses problemas de saúde antes da luta e acabou entrando um pouco debilitado. Se pudesse voltar atrás, você faria essa luta novamente naquelas condições?
Faria. O evento estava todo montado, tudo pronto, naquela hora o cara tem que fazer. Eu acho que se eu não lutasse ia fazer muito mais mal pra minha carreira do que se eu não fosse o campeão. Acho que o evento não tem nada a ver com minha condição, se eu aceitei lutar naquele dia, naquele dia eu tenho que me apresentar e lutar. No dia o cara tem que se apresentar, a não ser que tenha uma fratura ou algo que o impeça de lutar, senão o cara tem que se apresentar. Ainda mais naquele evento, onde eu ia fazer a luta principal da noite, então eu tinha que entrar de qualquer maneira.

Como foi acordar pela primeira vez, depois de tanto tempo, sem ser o campeão do Pride? O que passava pela sua cabeça?
Passavam várias coisas. Deu um vazio e eu pensei “Po, e agora?”, mas ai eu estava com minha esposa e com minha galera, eles sempre levantam a minha moral. Eu fiquei pensando “O que será que está acontecendo comigo? Será que eu não sou mais o mesmo? Será que estou ficando velho?”, então comecei a procurar o porquê disso. Eu treinei muito, me preparei demais, então eu tive um momento de reflexão. Por uns dez segundos eu até fiquei deprimido, mas depois pensei que o negócio é treinar, bola pra frente. Eu sou um cara muito otimista e acho que uma das coisas que mais poderiam ter me motivado era perder o título, porque agora eu tenho que correr atrás. Eu voltei a ser o desafiante e isso pra mim está sendo uma coisa relativamente boa. Eu já estou treinando, não me deixei abater, porque eu quero ser o campeão novamente. É como eu já falei, no dia que eu não for o campeão, eu quero estar correndo atrás dele, e é isso que estou fazendo agora.

Por ter esse título durante tantos anos, algum dia você chegou a ficar desmotivado? Há atletas que, por manterem um título por muito tempo, chega uma hora em que não tem motivação pra competir.
Acredito que nem seja pelo título, o que deixa a gente meio assim às vezes é a rotina de lutas. É um trabalho muito difícil, todo dia a gente está suando, todo dia a gente está ralando. Eu tive uma coisa muito estranha nessa luta, que foi muita pressão em cima de mim, já tenho durante muitos anos, mas nessa foi maior ainda. Eu fiz uns exames quando voltei e está tudo normal, mas tive uma dor de garganta muito forte, depois uma herpes me atacou na boca e na nuca, fiquei todo bichado. Eu fui ao médico e o cara falou que poderia ser stress. Mas eu sou um cara tão tranqüilo, seria stress do quê? (risos) Mas depois da luta eu vi que ser campeão não é pra qualquer um, é uma coisa muito difícil e o cara tem que saber lidar com isso. Até que eu soube por muito tempo lidar com isso. Se Deus quiser, eu vou recuperar esse título e vou estar mais tranqüilo e saber administrar melhor.

Você acha que vai rolar uma revanche entre você e o Henderson pelo título?
Com certeza. Por eu ter sido campeão durante seis anos e por ter lutado numa condição que não era a ideal, realmente eu não estava 100% na luta, eu acho que mereço uma nova chance de disputar com ele de novo valendo o título, ou com um novo campeão. Mas como o Shogun já está há algum tempo pegando as maiores pedreiras da categoria, e está sendo o melhor da categoria, acho que se não for eu, tem que ser ele. Se não derem essa chance pra mim, tem que dar pra ele. Pra ele eu abro mão, não há problema algum. Ele é um merecedor, acho que chegou a hora dele.

Depois da luta, o Dana White disse que não via mais motivos pra realizar uma luta sua contra o Chuck Liddell. Você acha que esse combate ainda vai acontecer?
Vai rolar sim. O cara também não vai ser campeão pra sempre. Ou eu reconquisto o título, ou o cara amanhã não é mais o campeão. Nesse mundo da luta muitas coisas acontecem. Este ano, se Deus quiser, vai ser muito bom pra mim, muitas coisas boas vão surgir. O vale tudo está numa franca ascensão, todo mundo que está nesse meio tem muito a ganhar e eu ainda vou estar envolvido nesse meio por muito tempo. Essa luta ainda vai rolar, e se eu estou ficando velho, ele está ficando mais velho ainda, então uma hora essa luta vai acontecer. Eu sou muito calmo, posso esperar o tempo que for.

Pela primeira vez na sua carreira, você sofreu duas derrotas consecutivas. Isso lhe fez rever alguma coisa em seu treinamento e mudar alguma coisa?
Eu já mudei. Estou treinando mais ainda minha parte técnica. Estou treinando meu Boxe, meu Jiu-Jitsu, estou me aprimorando mais. Com o passar dos anos, você vai se acomodando, mas o vale tudo não está se acomodando, muito pelo contrário, está evoluindo muito rápido. Se eu quiser competir de igual pra igual com os novos caras que estão surgindo, ou com os antigos que estão se aprimorando, eu também tenho que me aprimorar. Então nossa equipe conversou muito, o Rafael já está me dando umas aulas diferentes, estou treinando Boxe com o professor Osmar Dias, que passou dois anos na Flórida sendo sparring de um campeão mundial e está me dando aulas particulares, já estou fazendo minha preparação física ainda mais intensa. Com isso que me aconteceu o meu castigo foi ter que ralar mais pra voltar a ser o campeão.

Qual o balanço que você faz destes seus dez anos de carreira?
Eu acho que é uma carreira muito boa. Quando comecei eu era atendente de um bar, durante quase metade dessa carreira eu trabalhava no bar e lutava. Eu passei muitos anos sendo campeão, meu nome sendo reconhecido no mundo todo e o esporte crescendo, eu conseguindo abrir as portas dos eventos pros meus amigos. Através das minhas lutas e dos meus técnicos, eu consegui colocar todo mundo da nossa equipe pra lutar, desde os mais novos aos mais ativos. Isso é uma das coisas que mais me deixa feliz. Eu tenho uma carreira muito boa, espero lutar por mais alguns anos ainda, estou me sentindo bem e vamos ver por quanto tempo ainda vou agüentar a lutar nesse ritmo. Eu gosto muito do que faço, muitos eventos estão acontecendo, então só depende de mim pra eu continuar competitivo. Quando chegar a hora e eu achar que não dá mais, eu paro. Só que ainda não chegou essa hora, estou me sentindo bem, estou forte, estou mais motivado do que nunca, então espero voltar com tudo agora.

Deixe um recado para seus fãs que acompanham o Portal do Vale Tudo e estão sempre na torcida por você.
Mais do que nunca, eu quero agradecer a todos meus fãs, que torcem por mim, que mesmo na derrota estão comigo, essa é uma galera que me motiva demais. Eu fiquei um tempo sem dar entrevistas aqui no Brasil, essa é a primeira depois deste período, estou dando pra você porque você é um cara que sempre coloca o que eu digo, exatamente o que eu falo. Tem algumas pessoas que não entendem a vida de um lutador e falam algumas coisas desrespeitosas com relação aos atletas. Se um lutador fala alguma coisa de outro, isso é normal, mas se alguém está de fora e quer falar alguma coisa, mas que for de maneira respeitosa, eu até acho pertinente. Mas há pessoas que faltam com o respeito e que se escondem atrás de um nome fictício, eu acho que isso denigre o esporte. Todo mundo tem o direito de criticar, se o cara coloca a cara na mídia, ele tem que aceitar. Eu aceito todas as críticas, mas desde que seja de uma maneira respeitosa. Para meus fãs, quero dizer que já estou me preparando, não sei quando vai ser minha próxima luta, mas espero dar o gosto da vitória pros meus fãs. Vocês não sabem a força que me dão, eu acesso direto o site, leio o que meus fãs escrevem pra mim e isso é uma coisa que me motiva muito. Eu estava lá nos Estados Unidos, muito triste, passavam muitas coisas na minha cabeça, porque isso é meu trabalho e minha vida. Então eu entrei no site e vi várias mensagens da galera, que falavam que estavam comigo, que eu poderia perder dez lutas que continuariam comigo. Isso é uma das coisas que mais causa inveja em determinadas pessoas, que não têm os fãs que eu tenho. A galera está comigo e, de coração, eu agradeço essa força que vocês estão me dando. Como eu já disse, quando você ganha, você tem muitos amigos, mas quando você perde, você vê quem realmente são seus amigos. Agora, mais do que nunca, estou tendo a oportunidade de ver quem são realmente os meus amigos. Se eu pudesse conhecer todas essas pessoas que mandaram mensagens pra mim, eu ficaria muito feliz. Eu já falei várias vezes, mas quem encontrar comigo na rua ou num evento, chega e fala “po, eu sou aquele cara que te mandei aquela mensagem e tal”, pode ter certeza que eu vou ficar feliz em conhecer todos vocês, porque vocês não têm noção da força e da motivação que passam pra mim. É por vocês também que eu não desanimo, porque fases ruins acontecem na vida de todo mundo, todas as pessoas na vida sofrem derrota, mas a diferença entre o vencedor e o perdedor é como a pessoa enfrenta esse momento difícil, se ele deixa ou não se abater. O perdedor é aquele que desiste e, se isso acontecer, aí sim acabou, mas se o cara não desiste, continua persistindo, uma hora ou outra ele ganha. Deus está me dando uma oportunidade muito boa de dar a volta por cima e só quem perde tem essa oportunidade. Eu vou dar a volta por cima, Deus vai me ajudar, vou me esforçar muito e vou dar essa alegria pros meus fãs, pois eles merecem. Agora estou relançando meu site, vou fazer uma coluna nele, vai ter um blog, onde vou trocar idéia com minha galera. Pra galera que curte meu trabalho e gosta da minha idéia, fiquem ligados porque vai entrar no ar daqui alguns dias. De coração agradeço ao apoio de todos vocês. Ao Portal do Vale Tudo agradeço o espaço pra galera poder debater e para meus fãs poderem me apoiar. Muito obrigado a todos e que num futuro próximo eu possa corresponder à expectativa de todos vocês, com vitórias e com o show que todo mundo está acostumado a ver. Muito obrigado, valeu!
http://portaldovaletudo.uol.com.br

Marcos Ruas - Lutador

Marco Ruas

Lutador fala sobre aquela que pode ser sua última luta Marco Ruas está sem lutar desde 2001, quando finalizou Jason Lambert. Neste sábado, o criador do Ruas Vale Tudo irá enfrentar Maurice Smith na super luta da International Fight League (IFL). O ídolo brasileiro está pronto para o desafio e confessa que esta pode ser sua despedida dos ringues.

Como está a expectativa em voltar a lutar depois de tanto tempo?
Eu to naquela ralação, treinando muito. Bateu até uma certa tensão, já que faz seis anos que eu não luto, parece tudo novo. Mas treinei bastante, me dediquei muito nos treinamentos. Eu só vinha dando aula, agora mudou. Apesar de sempre me manter em forma, nunca deixei meu shape cair, mas treinar para uma luta é totalmente diferente. O treinamento pro vale tudo exige um esforço muito grande, já que tem que misturar todas as disciplinas. Mas eu estou feliz em voltar aos ringues depois de tanto tempo, é um desafio pra mim. Estou feliz por ter tido essa oportunidade, recebi o convite e mais uma vez o destino apareceu pra mim, então vou aproveitar.

Como na década de 90, você está treinando para essa luta com o Pedro Rizzo, Beto Leitão, Antoine Jaoude e Rodrigo Ruas, entre outros. Você se sente como se estivesse voltando no tempo?
É verdade, aquilo tudo volta. Aquele espírito de guerreiro, de lutador, aparece de novo. Poder voltar aos ringues me dá uma emoção muito boa. Não vejo a hora de lutar. A expectativa inclusive aumenta porque o time vai lutar também. Vai ser um grande desafio.

Maurice Smith o venceu no UFC, então além da expectativa pela volta aos ringues, haverá também a chance de uma revanche.
Sem duvida, há esse fator também. Quando eu lutei com ele antes eu estava machucado e isso foi muito frustrante pra mim. Essa luta tem vários ingredientes. Dessa vez só saio dali nocauteado, porque agora não estou com o joelho machucado, nem nada. Agora é vencer ou vencer. Lógico que nesse esporte tudo pode acontecer, mas estou preparado pra vencer, porque eu treinei duro. Só saio dali desmaiado, porque eu não vou parar. Não vou desistir.

Como foram os treinos pra luta?
Os treinos foram duríssimos, foi a pior parte. Acho que o que pega quando você aceita voltar a lutar é a rotina de treinos. Eu tive que parar de dar aula e eu tinha bastante aula. Agora eu treino, volto pra casa, como, descanso e treino de novo. Vira aquela rotina e vai se tornando cansativo. Então eu treino duro, tem hora que canso, mas então eu vou melhorando e acabo me empolgando. Porque você chega, faz três rounds no treino e cansa, mas depois consegue fazer quatro ou cinco, isso é muito bom. Eu me preparei pra lutar até o fim, só que espero vencer antes. Tudo pode acontecer, mas treinei pra lutar os cinco rounds.

Vocês dois estão sem lutar há muito tempo, mas você vem se mantendo em forma por todos esses anos. Você acha que o Smith sentirá mais essa falta de ritmo?
Ele é um lutador bem inteligente, ele sabe se poupar. Eu acho que ele vai se poupar, não vai com tudo pra cima, então eu vou ter que imprimir o ritmo. Da última vez que eu o vi, ele estava acima do peso, acho que deu uma relaxada. Por eu estar sempre treinando e dando aula, eu consigo me manter no peso. Já ele acho que vai ter dois trabalhos, perder o peso e entrar em forma. Ele é um atleta que já fez muitas lutas, pra ele isso é business, não é como pro brasileiro, que isso é como se fosse vida ou morte. Ele tem uma cabeça mais fresca nesse sentido. Eu não sei como estão os treinos dele, nem estou preocupado com isso. Acho que ele está sem lutar vale tudo o mesmo tempo que eu, mas fez umas duas lutas de kickboxing depois.

Essa será sua última luta ou você poderá fazer mais algum combate?
Eu acho que vou parar. Claro que até pode surgir uma proposta de lutar de novo, mas pra mim é muito duro. Você pára e acaba mudando a rotina da sua família toda. Eu tive que parar a academia e os alunos perguntam muito por mim, eles passam a depender da gente. Muitos ali se mantêm em forma por causa dos meus treinamentos, eu tenho alunos que estão comigo há seis anos. Pra mim não dá mais pra fazer uma carreira com essa idade. Se fosse pra levar na coxa, no foda-se, até dava. Eu encontrei com um lutador quase da minha idade que foi lutar no Pride, eu perguntei pra ele se ele tinha treinado bem, então o cara me disse que treinou só cinco dias! O cara foi lutar pelo dinheiro. Por mais que você tenha técnica e coração, é muito difícil conseguir uma vitória com cinco dias de treinamento. Se pra um cara novo já é difícil, imagina pra um da minha idade. O cara foi lá pelo cheque, mas pra mim a vitória é mais importante. Se o cara vier pra mim e perguntar se eu quero um cheque ou a vitória, é lógico que vou escolher a vitória. Pra nós que somos lutadores, não há coisa mais gostosa do que o sabor da vitória. Eu já senti o gosto da vitória e da derrota, sei que o da vitória é muito melhor. Melhor do que dinheiro, do que qualquer coisa.

Você viveu uma situação muito delicada nos últimos dias com o suicídio de um integrante do seu time, o Jeremy Willians. Como seus atletas lidaram com isso?
Foi uma perda muito grande, todo mundo ficou abalado. Ele era um cara gente fina, cheio de vida e potencial. Eu botei ele no meu time porque ele tinha muito potencial, tanto em pé quanto no chão, era um cara cheio de talento. Era um garoto muito educado. Não consigo entender porque ele fez isso. Todo mundo lamentou essa perda. Agora a gente vai ter que superar, todos vão dar o seu melhor e dedicar a vitória pra ele. A gente não pode se abalar por isso, pelo contrário, nós vamos correr atrás dessa vitória e dedicar a ele.

Sua equipe, os Condors, vai encarar os Razorclaws, do Frank Shamrock, no mesmo dia da sua luta. O que você espera desse confronto?
A gente tem grandes chances de ganhar esse confronto. Eu mudei o Justin Levens de categoria e botei um cara novo na outra. Nós temos grandes chances, se a gente vencer, nos classificamos. Todo mundo está muito bem. Estou vendo se trago o Eric Tavares pra cá, pra colocá-lo no time. Ele está morando aqui nos Estados Unidos, é um garoto raçudo, eu gosto dele. Ele veste a camisa e eu só não o coloquei agora porque não deu tempo.

O que você achou do retorno do Pedro Rizzo e o que espera dele daqui pra frente?
O Pedro me impressionou. Um cara que vinha de duas derrotas, ainda mais por nocaute, se superou. Ele foi muito agressivo, partiu pra cima, derrubou, fez ground and pound, foi pras costas, foi agressivo o tempo todo. Ele procurou a luta o tempo todo. Foi muito importante essa vitória. Quando você vem de uma derrota, por mais que você não queira, acaba pensando que pode tomar uma bomba de novo. Ele conseguiu limpar isso da mente dele e foi pra luta mesmo. Eu fiquei muito empolgado, ele também se empolgou, então foi muito bom. Com a idade que ele tem, com o potencial que ele tem, não pode se poupar. O cara treina que nem um louco, então continuando assim ele vai poder sempre mostrar nos ringues esse potencial que ele tem. Se ele botar no ringue tudo que ele treina, aí fudeu, não tem pra ninguém, engole todo mundo. Estou bem empolgado com ele. A luta foi boa porque ele fez três rounds e o cara não vendeu barato. O Justin Eilers foi pro pau, tomou knockdown, mas não parou, foi bem raçudo. Ele foi pra vencer o Pedro, não se entregou.
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domingo, 20 de maio de 2007

Cássia Lins - Nutrição

Cássia Lins, nutricionista do Centro de Reabilitação e Prevenção de Deficiências (CRPD), das Obras Sociais Irmã Dulce.

- Qual o alimento bom para a saúde?
Todos os alimentos são bons para a saúde. O que acontece é que costumamos dizer: a gordura faz mal, o açúcar faz mal... Dependendo da pessoa, algumas coisas, realmente, podem fazer mal, mas o ideal é que a nossa alimentação tenha um pouco de tudo. Por exemplo, também é importante fazermos uso da gordura, ela não é esse vilão todo, mas tem que ser consumida em quantidades pequenas. O açúcar, as massas, não podem ser consumidas em excesso, porque são alimentos que engordam. Hoje temos alimentos considerados essenciais, que as vezes deixamos de lado. As frutas são essenciais em vitaminas e sais minerais. Há também os alimentos que possuem fibras, tais como: folhas verdes, os cereais (arroz, germes de trigo, etc). Essas fibras vão favorecer uma vida saudável a pessoa que se alimentar direito.

O ideal é que a gente tenha um prato com porções de carboidratos que são as massas (arroz, macarrão, batata). Uma porção menor de carne, frango ou peixe. As carnes trazem as proteínas. Deve ter, também, verduras e saladas bem coloridas. A cor diz o que o alimento tem: a cenoura (amarela) é rica em vitamina A; o espinafre e outros vegetais verde-escuros, são ricos em ferro. É importante uma salada com cores bem variadas. Aí está um prato completo e saudável.

- Quem tem pressão alta, como fazer para baixá-la ?
Basicamente, com a retirada ou redução do sal na alimentação. A pressão alta também está associada a obesidade. O controle do peso também vai favorecer a redução da pressão. Então, basicamente, é a retirada do sal e o controle do peso. Sem esquecer, é claro, de consultar um médico, que verificará se são necessárias outras medidas ou medicações.

- Existem alguns alimentos que ajudam no controle da pressão?
Sim, existem os alimentos que tem pouco sódio. Alimentos ricos em água, pois eles pode ajudar na redução de pressão. Quais são estes alimentos? Melancia, carambola, maracujá, melão e outros.

- Tudo que a mãe come vai para o bebê?
Nem tudo o que a mãe come vai para o bebê. O que a mãe come é filtrado. O que passa é o que a criança precisa para poder se desenvolver. No geral as crianças nascem com um peso normal. Quando acontece de uma criança nascer com um peso maior, geralmente é porque, na gravidez, a mãe desenvolveu alguma doença que fez com que essa criança crescesse muito. Quando a mãe tem diabete gestacional, ela tem uma criança com um peso maior. Existem também crianças que nascem com baixo peso, muitas vezes, porque a mãe está desnutrida, por não ter tido uma alimentação adequada durante a gravidez.

- Por quê a mãe engorda quando engravida?
Porque a mãe sente mais fome, por causa do bebê que está crescendo dentro dela. O ideal é que a mulher tenha uma alimentação adequada, não engordando demais e se preparando para amamentar o bebê.

- Por quê a gordura faz mal para o diabético?
Porque a gordura em excesso se transforma em açúcar. Quando comemos, o alimento passa pelo processo de digestão e chega um momento em que é absorvido pelo nosso corpo. A gordura é absorvida também. Quando está em excesso, ela se transforma em açúcar e esse açúcar em excesso é o que faz mal para os diabéticos. Existem dois tipos de diabetes: a tipo 1 e a tipo 2. A pessoa não nasce com a diabete do tipo 2, mas a desenvolve durante a vida. Ela está muito relacionada ao peso. A pessoa obesa tem maior probabilidade de adquirir uma diabete. A gordura é mais calórica e tende em aumentar o peso, o que pode estar potencializando a diabete.

- Qual é a fruta boa para ajudar a defecar?
Mamão, laranja com o bagaço, ameixa, melancia, por ser rica em água. A água é fundamental para que o intestino funcione normal. A maçã com casca e a pêra com casca também ajudam (sem casca prende), além das saladas cruas.

- O que é bom para curar a anemia?
Existe muitos tipos de anemias, provocadas por causas diferentes. A principal delas e a anemia por carência de ferro. Pode-se melhorar consumindo alimentos que contenham ferro, como: a carne vermelha e o fígado, vegetais como a beterraba, quiabo, espinafre, etc. Os vegetais que são fontes de ferro, normalmente temos que associá-los com uma fonte de vitamina ''C'', como a laranja e o limão. Por isto é bom fazer o suco de beterraba com laranja. Outros alimentos bons para a anemia são o feijão, a ervilha, a lentilha.

- Quem tem hipotireoidismo tem realmente dificuldade para emagrecer?
Quem tem hipotireoidismo são pessoas que tendem a aumentar o peso, isso porque a função da tireóide é reduzida. Já no hipertireoidismo ocorre o contrário: costumam ser pessoas magras, pois seu organismo funciona de forma mais acelerada.

- Como evitar a desnutrição ?
Alimentando-se corretamente, tendo acesso a uma boa variedade de alimentos. Na nossa realidade, falar de desnutrição, frequentemente, significa falar da pobreza, falar de carências sociais. Significa falar de pessoas que, por não possuírem dinheiro, não têm como adquirir a comida, não têm o que comer.

- Quais as doenças relacionadas a falta de alimentação?
A pessoa que passou por uma desnutrição na infância geralmente tem baixa estatura, algumas vezes acaba apresentando uma deficiência mental. Algumas carências provocam deformações. Por exemplo, a carência de vitamina D provoca o raquitismo.