quarta-feira, 25 de julho de 2007

Marcelo Garcia - Lutador

Fenômeno prepara estréia no Vale-Tudo

Morando nos Estados Unidos, Marcelinho quer testar o seu Jiu-Jitsu nas lutas de Vale-Tudo

Dono de uma das mais fantásticas técnicas no Submission e no Jiu-Jitsu, o atleta mineiro Marcelinho Garcia está recebendo diversas propostas para estrear no Vale-Tudo. Sem pressa, mas já se preparando para a estréia no ringue ou octagon, Marcelinho avisa que, apesar de estar treinando em pé, também espera poder mostrar seu jogo de Jiu-Jitsu dentro das competições de Vale-Tudo. O atleta da Alliance fechou sua participação no ADCC 2007 com sete finalizações em oito lutas, o que lhe rendeu o tri campeonato do ADCC até 77kg e um segundo lugar no absoluto. Vivendo atualmente em Nova York, Marcelinho tem dividido seu tempo entre aulas particulares, seminários e as competições de Submission e Jiu-Jitsu. Em relação aos treinamentos para a esperada estréia no Vale-Tudo, ele avisa: “Meu diferencial será usar meu Jiu-Jitsu em cima de atletas que esqueceram completamente da arte suave.”

E quando finalmente vai rolar sua estréia no Vale-Tudo?
Eu tenho proposta de quase todos os eventos, e isso é bem legal. Estou vendo quem é que vai respeitar mais o meu trabalho, porque atualmente tenho uma rotina de aulas e seminários que me mantêm. A gente fala dessa transição, dessa mudança, mas na verdade eu irei fazer o meu Jiu-Jitsu dentro do Vale-Tudo.

Em qual categoria de peso você estaria melhor no Vale-Tudo?
É até bom ver o UFC dominando o mercado, porque eles tem uma categoria muito boa para mim, a até 77kg. Eu acho que essa categoria é uma que me sinto forte e disposta, e mesmo fazendo dieta eu chego para lutar com bastante disposição. Mas nada me impede que mais pra frente, quando eu pegar experiência no Vale-Tudo, eu possa mudar de categoria, seja para baixo, ou para cima.


Você disse que tem vários eventos te chamando para lutar, ainda não existe um que faça as coisas do seu jeito?
Eu quero que os eventos de Vale-Tudo voltem a valorizar o lutador de Jiu-Jitsu o faixa-preta de Jiu-Jitsu, aquele lutador que acredita no chão. Não tem porque eu modificar meu jeito de lutar para dar show em um evento.


Você disse que essa transição para o Vale-Tudo será apenas mostrar seu Jiu-Jitsu dentro do Vale-Tudo. Mas como andam seus treinamentos para o Vale-Tudo?
A única coisa que é novidade nos meus treinamentos é o uso da luva. Tudo que possa vir a apresentar em um ringue de Vale-Tudo já está na minha cabeça. Estou treinando em pé, não estou de bobeira.


E quais são as chances dessa sua primeira luta de Vale-Tudo ocorrer em breve?
Eu pretendo fazer essa luta antes do fim desse ano e sei que isso vai acontecer em algum evento que eu sempre sonhei em lutar.


Na sua opinião quem seriam os melhores nesse peso até 77kg no Vale-Tudo?
Fica complicado falar em um nome só, é a mesma coisa que listar alguns atletas da minha categoria no ADCC, são muitos caras bons. Mas no Vale-Tudo tem o Matt Hughes, George St. Pierre, BJ Penn e o Matt Serra que acabou de ganhar do St. Pierre.


Contra qual desses lutadores citados você acha que seu jogo se encaixaria melhor? Já pensou nisso?
Eu faço meu plano de luta por mim mesmo. Eu não tento me adaptar aos meus adversários não. E eu acho que isso também vai acontecer no Vale-Tudo, eu sempre tenho uma estratégia formada na minha cabeça. Meu forte será o Jiu-Jitsu, e eu vejo que muitos desses atletas citados por mim esqueceram um pouco do Jiu-Jitsu, desacreditando na arte. Eu acho que esse vai ser meu diferencial perante eles, na hora eles vão perceber o quanto o Jiu-Jitsu fez falta.


Você lutaria no Gracie FC do dia 19 de maio. O que aconteceu que essa luta não vingou?
Eu tive várias propostas e no meio desses quase sete meses de negociação, soltaram meu nome sem termos acertos. Isso atrapalhou demais meu treinamento e minha participação em outros eventos. As pessoas só falavam nisso quando na verdade não tinha nada certo.


Você finalizou muito mais lutas no ADCC 2007, do que nas edições anteriores. O que mais contou para que seu jogo fosse mais eficiente do que nas outras edições?
O que mais contou foi a experiência. Eu treinei forte como sempre, mas as minhas outras participações, incluindo a seletiva de 2003, me deram muita bagagem. Não só no ADCC, mas também no quimono, eu já percebi que as pessoas estão se vacinando das coisas que eu gosto de fazer, tenho o arm-drag, as finalizações pelas costas e a guarda em “x”. Mas as pessoas não podem pensar que eu treino somente isso. Eu treino tudo e na hora que uma coisa não funciona, as outras estão bem treinadas para por em prática. Antes do evento eu ouvi que esse ano seria mais difícil porque todos estavam treinando muito.


Você acha que essa preocupação que você tinha de ser um evento mais difícil do que nos outros anos foi seu diferencial?
Isso conta bastante, sabia que não seria fácil e tinha alguns nomes lá que eu não queria perder para eles. Esses fatores me motivaram a treinar e deu no que deu, consegui finalizar todas as lutas. Outra coisa na minha parte de treinamento que funcionou muito bem foi a dieta. Eu sempre tive dificuldade com peso antes das lutas, e esse ano eu tive a melhor dieta de todas. Cheguei sem nenhuma lesão no evento e isso foi bom.


Quem são as pessoas para quem você não queria perder?
Teve gente que ganhou a seletiva no Brasil, no caso do André Galvão, que andou falando que ia chegar a minha vez, e isso me motivou a treinar mais.


Você mencionou o nome do André Galvão e ele lutou na semifinal do absoluto e acabou perdendo em luta para o Robert Drysdale que é da mesma equipe dele. Você acha que a luta foi real?
Eu não vi nenhuma luta, eu tento me focar ao máximo para sempre tentar fazer as oito lutas do ADCC(peso e absoluto). Mas eu deixo na opinião do povo, que falou que a luta não foi correta, não foi para valer. No caso do André Galvão já que ele queria tanto lutar comigo, ele estava na vez dele, e deveria vir lutar comigo para fazer o serviço, ao invés de passar para o outro.

Muitos fãs de Vale-Tudo que não acompanham submission e Jiu-Jitsu regularmente, ficaram muito tristes quando você foi finalizado na final do absoluto para o Robert Drysdale. Como você vê essa situação?
É isso que me faz chegar na segunda-feira depois do evento e começar a treinar. Essa semana depois do evento foi tão forte quanto nas semanas que antecederam o ADCC. Eu ouvi muito disso que você falou na pergunta e foi uma das coisas que me deixaram mais feliz. Eu já tinha ouvido isso quando perdi antes, isso é uma prova de que eu estou no caminho certo, não posso desistir e um dia eu vou ganhar esse absoluto e o do Mundial de Jiu-Jitsu.


E essa luta final contra o Drysdale, alguma analise a se fazer?
Eu tinha que assistir a essa luta outras vezes para ver o que eu posso ter errado. É difícil falar algo sem uma análise mais profunda. Entretanto eu não me sinto mal pela derrota, eu estava com um sentimento dentro de mim que tipo, eu quero ganhar isso, a minha vontade era enorme. Foi tão difícil chegar nessa final e se eu perdi foi porque fui muito para cima e com muita vontade de ganhar e nunca tive medo. Eu já tinha vencido ele duas vezes – com e sem quimono – e eu estava bem confiante. Eu não tiro mérito dele não, ele esperou o momento certo e eu respeito muito ele. O único cara que eu não respeito é o André Galvão.


O que você achou da organização do ADCC 2007?
Eu achei que deixou muito a desejar। Não sei se o público percebeu isso, eu não sei como estava o clima do lado de fora. Esse foi meu terceiro evento e ele deixou muito a desejar. Na minha opinião é uma responsabilidade muito grande você promover o ADCC, você tem que ter uma dedicação pelo evento, não pode fazer como qualquer um. O evento acontece somente de dois em dois anos.

Gostaria de deixar uma mensagem final para os fãs?
Queria agradecer muito a participação da torcida. É isso que me fez treinar na segunda feira depois de ter tido um fim de semana de lutas no ADCC e estar cansado. Eu gostaria que eles soubessem que não é fácil perder depois de ter feito um campeonato tão bom. Mas isso não vai me desanimar, eu prometo que nos próximos eventos chegarei com a mesma vontade de sempre. Os fãs vão me ver fazendo um campeonato no mesmo estilo que eu sempre tenho feito, buscando finalizar todas as lutas e ser campeão.
Quero agradecer aos meus patrocinadores Keiko e a FightFX. Meu Jiu-Jitsu é o do Fábio Gurgel. Agradeço ao meu meu preparador físico, o Gilson. Ele explorou muito o cross-training onde desenvolvi coisas que não tinha costume. Eu não gostava muito desse tipo de treinamento, mas senti que cheguei bem melhor fisicamente no ADCC graças a eles. E é claro agradecer minha mulher, Tatiana Tognini.

Entrevista Cedida pelo Jornal Vale Tudo.

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