quarta-feira, 25 de julho de 2007

Pedro Rizzo - Lutador


“The Rock” promete voltar ao TOPO

Vitória convincente no Art of War motiva Rizzo a reconquistar seu espaço entre os tops do Vale-Tudo internacional

Apelidado de “The Rock” devido a contudência dos golpes que desferia no auge de sua carreira no Ultimate Fighting Championship (UFC), Pedro Rizzo quer reviver seus tempos de glória. O primeiro passo foi dado na edição de estréia do evento Art of War, em março deste ano, quando Pedro venceu bem o americano Justin Eilers.
A princípio, pode parecer exagero tomar um único resultado como termômetro para um atleta como Rizzo, que já nocauteou nomes como Josh Barnett, e Andrei Arlovski. Mas a verdade é que, após passar os últimos três anos com apenas duas lutas e duas derrotas por nocaute no Pride, a vitória sobre Eilers é emblemática. Principalmente se considerarmos que o americano vinha de uma sequência de sete vitórias por nocaute ou desistência.


Pouca gente aqui no Brasil assistiu sua última luta, no Art of War. Conte-nos um pouco sobre ela.
Começou a luta e trocamos alguns golpes, eu apliquei um knockdown e fiquei batendo por cima. Ganhei a meia guarda e fiquei um pouco preso ali, depois ele ficou de quatro, perto das grades, eu não consegui colocar os ganchos e foi assim até o fim do round. No segundo nós trocamos bastante, eu já comecei a chutar, faltando 10 segundos eu acertei um chute na cabeça dele, ele sentiu, então eu apliquei um cruzado muito forte na cabeça dele e quebrei minha mão, foi meu último golpe naquele round, pois o gongo soou. Acho que se continuasse naquela hora, a luta ia acabar. Como eu estava com a mão quebrada, no terceiro round eu troquei só um pouco, para que conseguisse chegar ao clinche e botar pra baixo. E consegui. Só que ele ficou sentado, não consegui deixá-lo de costas no chão. Fiquei batendo com os cotovelos e faltando uns 30 segundos ele conseguiu se levantar, trocamos mais um pouquinho e acabou. Dominei a luta. Ela foi boa pra minha carreira, pois teve três rounds, e eu estava precisando lutar esse tempo, até pra me sentir no ringue e ter uma base de como está meu condicionamento físico e meu treinamento. Tenho que melhorar algumas coisas.

Você ficou surpreso por ele não ter caído nos dois knockdowns que aplicou?
No primeiro knockdown ele caiu por cima das pernas, realmente eu pensei que a luta ia acabar, mas o juiz não parou. Ainda bem, porque assim a luta pôde continuar. O Eilers se segurou bem por baixo e conseguiu se recuperar. O chute na cabeça foi o que mais me impressionou, pois foi um chute relativamente forte. Ele estava caindo, mas ali ele foi salvo pelo gongo. Ele poderia ter caído e dormido, mas agüentou o chute. Ele mostrou uma boa resistência, está com uma boa trocação, um boxe alinhado, pendulando e cruzando o tempo todo e bate forte também. Foi uma luta boa pra me testar, pra ver como estou e agora é só melhorar, corrigindo os defeitos da luta.

Você estava há 13 meses sem lutar, ficou satisfeito com seu desempenho?
Eu luto melhor do que aquilo, mas devido às circunstancias acho que fui bem. Estava há um ano sem subir nos ringues, desde 2003 sem vencer, sendo que de lá pra cá tinha feito apenas duas lutas e perdido de forma rápida. Foi importante eu ter ficado bastante tempo no ringue desta vez, pois fazia muito tempo que não conseguia. A luta foi boa nesse sentido, por ter sido longa, mas eu acho que deveria ter nocauteado. Não que isso tenha me deixado triste, pois foi mérito dele, mas normalmente eu deveria ter nocauteado. Eu quero voltar ao topo, então tenho que vencer esses lutadores. Fiquei satisfeito por todas as circunstancias, mas como atleta e competidor, eu queria ter vencido por finalização ou nocaute.

Qual foi a grande dificuldade que você sentiu nesse retorno? Você se sentiu pressionado em conseguir essa vitória?
Eu estava com a cabeça boa. Entrei no ringue bem calmo, até mais calmo do que eu esperava. Eu vinha com muita pressão, pois se eu perdesse ia ficar numa situação muito ruim na minha carreira, já que eu vinha de duas derrotas. Não tinha outra escolha, era vitória ou vitória. Apesar de toda essa pressão, entrei calmo, focado, tinha treinado muito. Eu tava com a luta toda na cabeça, e tudo que eu planejei foi acontecendo. Gostei da minha atitude, de ter ido mais pra cima, eu fui mais agressivo do que das minhas últimas lutas, me soltei mais. Acho que agora, com a seqüência de lutas, eu vou me soltar cada vez mais e voltar a ser o lutador que eu era.

Você quebrou sua mão no segundo round. Como está sendo a recuperação?
Quebrei a mão no fim do segundo round, no último golpe que apliquei nele. Como o osso saiu do lugar eu tive que fazer uma redução no segundo metacarpo da mão esquerda. Graças a Deus durante a luta eu não senti dor nenhuma, consegui colocar meu adversário pra baixo e pude trabalhar bem com os cotovelos, poupando assim a minha mão. Acho que já posso lutar de novo em julho, os médicos me disseram que neste de maio poderei socar e já to treinando chão e Wrestling.

O Alexander Emelianenko chegou a ser cogitado para ser seu próximo adversário. Será ele mesmo?
Pois é, me ofereceram o Alexander e eu gostei muito, pois seria uma boa luta pras minhas pretensões de voltar ao topo. Eu queria poder ter essa oportunidade de lutar com ele, pois é um cara que pode fazer com que eu volte ao topo do MMA, mas eu acho que essa luta não vai acontecer, pois ouvi um papo de que ele assinou com o Bodog. Estou esperando um adversário pra final de junho ou julho.

O que você achou da organização do Art of War? Foi o primeiro show deles.
O evento foi ótimo. Em matéria de organização não ficou devendo a nenhum outro evento, foi tudo ótimo, hotel, estadia, tudo 100%. A arena foi uma das mais bonitas que eu já lutei em toda minha vida, que é a do Dallas Mavericks, da NBA. Uma arena imensa, que cabem 30 mil pessoas. Eles fecharam a parte de cima e colocaram 20 mil ingressos à venda e o público foi de 12 mil pessoas. Foi o primeiro evento, todo mundo sabe que no primeiro é sempre difícil ter lucro, mas os organizadores falaram que conseguiram um pequeno lucro. Acho que os caras estão bem conscientes da dificuldade de montar um evento de vale-tudo no mundo, eles estão fazendo tudo devagar e vão crescendo aos poucos. Acho que eles têm grandes chances de se tornarem bem grandes.

Você já se sente pronto para lutar contra os tops da categoria ou o ideal é pegar algum lutador mediano para que possa pegar mais ritmo?
Lógico que depois de uma luta a gente fica bem empolgado. Eu me senti muito bem dentro do ringue, até pela tranqüilidade com que eu fui à luta, estava com uma paz interna muito grande, estava bem calmo pra lutar. Isso me deu bastante força pra lutar com qualquer um. Lógico que o ritmo influencia, eu perdi algumas posições ali na luta que se eu tivesse com ritmo eu não perderia. Acho que mais uma luta antes de enfrentar um top seria muito bom. Assim eu pego mais de ritmo e no final do ano eu pego um top, pra voltar a me firmar entre os melhores.

Sua penúltima luta nos EUA foi no fim de 2003. De lá pra cá muita coisa mudou no cenário americano. Como você analisa essas mudanças?
Eu acho que o mercado americano sempre prometeu ser o maior do mundo, já que o maior mercado consumidor é lá. O UFC fez um excelente trabalho de marketing com o “The Ultimate Fighter”, popularizando o esporte dentro dos EUA. Você pode ver que o UFC consegue atrair mais atenção do que as lutas de Boxe. O UFC sempre fica de casa cheia em Las Vegas, enquanto há show de cantoras famosas como a Britney Spears que não tem o mesmo público. O UFC é uma febre nos EUA. Lógico que isso é tudo por causa da Zuffa, através dos irmãos Fertitta e do Dana White, os caras fizeram um trabalho acertado e agora estão com dinheiro para contratarem os melhores lutadores. O UFC hoje é sem dúvida o melhor evento do mundo e é dentro dos EUA, porque eles possuem o público para trabalharem isso.

O que seus fãs podem esperar de você daqui pra frente?
Vou trabalhar muito, treinar muito, para tentar voltar ao topo e voltar a lutar tão bem quanto eu já lutei nos Estados Unidos. Vou lutar com os melhores e buscar sempre a perfeição para estar entre os melhores do mundo e defender o nome do Brasil. Quero enfrentar os melhores da minha categoria.


Cedida pelo Jornal Vale Tudo.

Marcelo Garcia - Lutador

Fenômeno prepara estréia no Vale-Tudo

Morando nos Estados Unidos, Marcelinho quer testar o seu Jiu-Jitsu nas lutas de Vale-Tudo

Dono de uma das mais fantásticas técnicas no Submission e no Jiu-Jitsu, o atleta mineiro Marcelinho Garcia está recebendo diversas propostas para estrear no Vale-Tudo. Sem pressa, mas já se preparando para a estréia no ringue ou octagon, Marcelinho avisa que, apesar de estar treinando em pé, também espera poder mostrar seu jogo de Jiu-Jitsu dentro das competições de Vale-Tudo. O atleta da Alliance fechou sua participação no ADCC 2007 com sete finalizações em oito lutas, o que lhe rendeu o tri campeonato do ADCC até 77kg e um segundo lugar no absoluto. Vivendo atualmente em Nova York, Marcelinho tem dividido seu tempo entre aulas particulares, seminários e as competições de Submission e Jiu-Jitsu. Em relação aos treinamentos para a esperada estréia no Vale-Tudo, ele avisa: “Meu diferencial será usar meu Jiu-Jitsu em cima de atletas que esqueceram completamente da arte suave.”

E quando finalmente vai rolar sua estréia no Vale-Tudo?
Eu tenho proposta de quase todos os eventos, e isso é bem legal. Estou vendo quem é que vai respeitar mais o meu trabalho, porque atualmente tenho uma rotina de aulas e seminários que me mantêm. A gente fala dessa transição, dessa mudança, mas na verdade eu irei fazer o meu Jiu-Jitsu dentro do Vale-Tudo.

Em qual categoria de peso você estaria melhor no Vale-Tudo?
É até bom ver o UFC dominando o mercado, porque eles tem uma categoria muito boa para mim, a até 77kg. Eu acho que essa categoria é uma que me sinto forte e disposta, e mesmo fazendo dieta eu chego para lutar com bastante disposição. Mas nada me impede que mais pra frente, quando eu pegar experiência no Vale-Tudo, eu possa mudar de categoria, seja para baixo, ou para cima.


Você disse que tem vários eventos te chamando para lutar, ainda não existe um que faça as coisas do seu jeito?
Eu quero que os eventos de Vale-Tudo voltem a valorizar o lutador de Jiu-Jitsu o faixa-preta de Jiu-Jitsu, aquele lutador que acredita no chão. Não tem porque eu modificar meu jeito de lutar para dar show em um evento.


Você disse que essa transição para o Vale-Tudo será apenas mostrar seu Jiu-Jitsu dentro do Vale-Tudo. Mas como andam seus treinamentos para o Vale-Tudo?
A única coisa que é novidade nos meus treinamentos é o uso da luva. Tudo que possa vir a apresentar em um ringue de Vale-Tudo já está na minha cabeça. Estou treinando em pé, não estou de bobeira.


E quais são as chances dessa sua primeira luta de Vale-Tudo ocorrer em breve?
Eu pretendo fazer essa luta antes do fim desse ano e sei que isso vai acontecer em algum evento que eu sempre sonhei em lutar.


Na sua opinião quem seriam os melhores nesse peso até 77kg no Vale-Tudo?
Fica complicado falar em um nome só, é a mesma coisa que listar alguns atletas da minha categoria no ADCC, são muitos caras bons. Mas no Vale-Tudo tem o Matt Hughes, George St. Pierre, BJ Penn e o Matt Serra que acabou de ganhar do St. Pierre.


Contra qual desses lutadores citados você acha que seu jogo se encaixaria melhor? Já pensou nisso?
Eu faço meu plano de luta por mim mesmo. Eu não tento me adaptar aos meus adversários não. E eu acho que isso também vai acontecer no Vale-Tudo, eu sempre tenho uma estratégia formada na minha cabeça. Meu forte será o Jiu-Jitsu, e eu vejo que muitos desses atletas citados por mim esqueceram um pouco do Jiu-Jitsu, desacreditando na arte. Eu acho que esse vai ser meu diferencial perante eles, na hora eles vão perceber o quanto o Jiu-Jitsu fez falta.


Você lutaria no Gracie FC do dia 19 de maio. O que aconteceu que essa luta não vingou?
Eu tive várias propostas e no meio desses quase sete meses de negociação, soltaram meu nome sem termos acertos. Isso atrapalhou demais meu treinamento e minha participação em outros eventos. As pessoas só falavam nisso quando na verdade não tinha nada certo.


Você finalizou muito mais lutas no ADCC 2007, do que nas edições anteriores. O que mais contou para que seu jogo fosse mais eficiente do que nas outras edições?
O que mais contou foi a experiência. Eu treinei forte como sempre, mas as minhas outras participações, incluindo a seletiva de 2003, me deram muita bagagem. Não só no ADCC, mas também no quimono, eu já percebi que as pessoas estão se vacinando das coisas que eu gosto de fazer, tenho o arm-drag, as finalizações pelas costas e a guarda em “x”. Mas as pessoas não podem pensar que eu treino somente isso. Eu treino tudo e na hora que uma coisa não funciona, as outras estão bem treinadas para por em prática. Antes do evento eu ouvi que esse ano seria mais difícil porque todos estavam treinando muito.


Você acha que essa preocupação que você tinha de ser um evento mais difícil do que nos outros anos foi seu diferencial?
Isso conta bastante, sabia que não seria fácil e tinha alguns nomes lá que eu não queria perder para eles. Esses fatores me motivaram a treinar e deu no que deu, consegui finalizar todas as lutas. Outra coisa na minha parte de treinamento que funcionou muito bem foi a dieta. Eu sempre tive dificuldade com peso antes das lutas, e esse ano eu tive a melhor dieta de todas. Cheguei sem nenhuma lesão no evento e isso foi bom.


Quem são as pessoas para quem você não queria perder?
Teve gente que ganhou a seletiva no Brasil, no caso do André Galvão, que andou falando que ia chegar a minha vez, e isso me motivou a treinar mais.


Você mencionou o nome do André Galvão e ele lutou na semifinal do absoluto e acabou perdendo em luta para o Robert Drysdale que é da mesma equipe dele. Você acha que a luta foi real?
Eu não vi nenhuma luta, eu tento me focar ao máximo para sempre tentar fazer as oito lutas do ADCC(peso e absoluto). Mas eu deixo na opinião do povo, que falou que a luta não foi correta, não foi para valer. No caso do André Galvão já que ele queria tanto lutar comigo, ele estava na vez dele, e deveria vir lutar comigo para fazer o serviço, ao invés de passar para o outro.

Muitos fãs de Vale-Tudo que não acompanham submission e Jiu-Jitsu regularmente, ficaram muito tristes quando você foi finalizado na final do absoluto para o Robert Drysdale. Como você vê essa situação?
É isso que me faz chegar na segunda-feira depois do evento e começar a treinar. Essa semana depois do evento foi tão forte quanto nas semanas que antecederam o ADCC. Eu ouvi muito disso que você falou na pergunta e foi uma das coisas que me deixaram mais feliz. Eu já tinha ouvido isso quando perdi antes, isso é uma prova de que eu estou no caminho certo, não posso desistir e um dia eu vou ganhar esse absoluto e o do Mundial de Jiu-Jitsu.


E essa luta final contra o Drysdale, alguma analise a se fazer?
Eu tinha que assistir a essa luta outras vezes para ver o que eu posso ter errado. É difícil falar algo sem uma análise mais profunda. Entretanto eu não me sinto mal pela derrota, eu estava com um sentimento dentro de mim que tipo, eu quero ganhar isso, a minha vontade era enorme. Foi tão difícil chegar nessa final e se eu perdi foi porque fui muito para cima e com muita vontade de ganhar e nunca tive medo. Eu já tinha vencido ele duas vezes – com e sem quimono – e eu estava bem confiante. Eu não tiro mérito dele não, ele esperou o momento certo e eu respeito muito ele. O único cara que eu não respeito é o André Galvão.


O que você achou da organização do ADCC 2007?
Eu achei que deixou muito a desejar। Não sei se o público percebeu isso, eu não sei como estava o clima do lado de fora. Esse foi meu terceiro evento e ele deixou muito a desejar. Na minha opinião é uma responsabilidade muito grande você promover o ADCC, você tem que ter uma dedicação pelo evento, não pode fazer como qualquer um. O evento acontece somente de dois em dois anos.

Gostaria de deixar uma mensagem final para os fãs?
Queria agradecer muito a participação da torcida. É isso que me fez treinar na segunda feira depois de ter tido um fim de semana de lutas no ADCC e estar cansado. Eu gostaria que eles soubessem que não é fácil perder depois de ter feito um campeonato tão bom. Mas isso não vai me desanimar, eu prometo que nos próximos eventos chegarei com a mesma vontade de sempre. Os fãs vão me ver fazendo um campeonato no mesmo estilo que eu sempre tenho feito, buscando finalizar todas as lutas e ser campeão.
Quero agradecer aos meus patrocinadores Keiko e a FightFX. Meu Jiu-Jitsu é o do Fábio Gurgel. Agradeço ao meu meu preparador físico, o Gilson. Ele explorou muito o cross-training onde desenvolvi coisas que não tinha costume. Eu não gostava muito desse tipo de treinamento, mas senti que cheguei bem melhor fisicamente no ADCC graças a eles. E é claro agradecer minha mulher, Tatiana Tognini.

Entrevista Cedida pelo Jornal Vale Tudo.